A mineração no Pantanal sul-mato-grossense entrou na pauta do mercado de minério internacional de forma mais contundente neste mês em razão das tratativas dos irmãos Joesley e Wesley Batista para negociar a empresa LHG Mining, em Corumbá, por cifras que podem ultrapassar R$ 20,468 bilhões
(US$ 4 bilhões).
Houve a confirmação de que essa negociação – que não teve valores oficialmente divulgados – estava vinculada à Vale, empresa que vendeu a mineração em Corumbá há quatro anos (anúncio oficial ocorreu no dia 15 de julho de 2022) pelo valor de US$ 1,2 bilhão (estimado em R$ 6,48 bilhões) para a própria J&F.
Essas tratativas foram, inicialmente, divulgadas pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, e passaram a repercutir. Tanto a Vale, como a J&F, holding dos irmãos Batista que controla a LHG Mining, emitiram notas oficiais minimizando as questões de negociação. Os comunicados oficiais divulgados, ambos, no dia 14 de julho, detalharam as posições das empresas.
No caso da Vale, foi informado que a empresa “regularmente avalia oportunidades de investimento no curso de suas atividades, em especial aquelas sobre ativos com potencial contribuição às prioridades estratégicas da Companhia. Decisões quanto à alocação de capital seguem rigoroso processo de avaliação, incluindo aspectos técnicos, econômicos e financeiros, e são tomadas em conformidade com as políticas e regras de governança da Vale. Nesse sentido, a Companhia avaliou a oportunidade e descartou qualquer investimento relacionado ao ativo de minério de ferro localizado em Corumbá”.
Já a J&F ponderou que a LHG Mining não está à venda de forma integral, mas segue uma estruturação de comercialização de ações minoritárias.
“O processo competitivo está em andamento, com o recebimento de diversas propostas, e a J&F descarta ter a Vale como sócia. Trata-se de uma concorrente nacional que traria um imenso conflito de interesse na gestão da companhia. A J&F esclarece ainda que recebeu, a pedido da Vale, uma comitiva para conhecer as instalações da LHG Mining e as melhorias implementadas pela atual gestão. O pedido não veio acompanhado de qualquer indicação de sigilo e foi atendido com a mesma cortesia que a J&F dispensou a dezenas de visitas do setor”.
As subidas e descidas de jatinhos em Corumbá, neste primeiro semestre, seguiu intensa em maio. E a visita de integrantes do Conselho de Administração da Vale à sede da mineradora ocorreu com as presenças de Daniel André Stieler, Manuel Oliveira (conhecido como Ollie), Wilfred Bruijn (presidente interino do colegiado) e Heloísa Belotti Bedicks.
No total são 13 conselheiros, mas nem todos estiveram na lista da visita, conforme divulgado pelo O Globo neste domingo.
Daniel André Stieler, que veio para Corumbá, era presidente do colegiado e pediu renúncia do cargo e da cadeira de membro no dia 6 de julho.
Assembleia geral extraordinária ficou marcada para amanhã para tratar dos próximos passos de comando no Conselho.
Conforme divulgado pelo O Globo, essas tratativas envolvendo a visita de conselheiros da Vale a Corumbá ainda teve um pedido feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
NEGOCIAÇÃO
Além da Vale, outros atores aparecem no tema de possível negociação que envolve os irmãos Joesley e Wesley Batista. Porém, com menos avanços práticos.
Em Mato Grosso do Sul, de forma extraoficial, a possibilidade de venda da LHG Mining está presente nos bastidores há mais de um ano.
E envolve tratativas internacionais. Do outro lado da fronteira, em Puerto Quijarro, também há uma mineração que ocorre no projeto Mutún e houve rumores de possibilidade de negociação com a LHG Mining.