Uma articulação envolvendo alguns dos políticos mais experientes de Mato Grosso do Sul começa a desenhar a disputa pelo comando da Assembleia Legislativa de Mato Grosos do Sul (Alems) na próxima legislatura.
Conforme apuração do Correio do Estado, o deputado estadual Londres Machado (PP), o ex-governador André Puccinelli (MDB), o deputado estadual Zé Teixeira (PL), o deputado estadual Zeca do PT e o ex-conselheiro Jerson Domingos (União Brasil), do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), já teriam se alinhado em torno de um acordo para entregar a presidência da Casa ao decano do Parlamento estadual.
Nos bastidores, de acordo com a reportagem, o grupo é chamado de “Bancada da Bengala”, em referência à idade e à longa trajetória política de seus integrantes, afinal, juntos, os cinco têm idade média de quase 80 anos.
Zé Teixeira é o mais velho, com 86 anos, seguido por Londres Machado, de 84 anos, André Puccinelli, com 78 anos, Zeca do PT, com 76 anos, e Jerson Domingos, com 75 anos – ele completará 76 anos em novembro.
No entanto, a movimentação depende do resultado das urnas no dia 4 de outubro, pois, enquanto Londres, Zé Teixeira e Zeca tentam renovar os respectivos mandatos, Puccinelli e Domingos buscam retornar à Alems.
Caso todos os três sejam reeleitos e os dois eleitos, o grupo pretende trabalhar para que Londres assuma novamente o comando do Legislativo, independentemente das preferências das principais lideranças políticas do Estado.
Embora Zé Teixeira seja o mais velho, Londres é considerado o decano em razão do número de mandatos e do tempo de atuação parlamentar.
Ele tenta chegar ao 14º mandato de deputado estadual e acumula diversas passagens pela presidência da Alems.
A articulação antecipada pode contrariar os planos do governador Eduardo Riedel (PP), que tenta a reeleição, e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que busca uma cadeira no Senado, duas das principais forças políticas envolvidas na formação da futura Mesa Diretora.
Riedel cogitaria apoiar Pedro Caravina (PSDB) para a presidência. O deputado, entretanto, precisaria conquistar um novo mandato e construir maioria entre os parlamentares eleitos.
No PL, Paulo Corrêa também estaria pressionando Azambuja para receber o apoio do partido na disputa pelo principal cargo da Casa.
PONTO PACÍFICO
Apesar das divergências em torno da presidência, há espaço para uma composição. O ponto considerado pacífico nas conversas é que Riedel e Azambuja poderiam participar diretamente da escolha do primeiro-secretário, segundo posto mais importante da Mesa Diretora e responsável pela administração da Alems.
Para a função, a preferência seria por Gerson Claro (PP), atual presidente da Alems. O parlamentar mantém bom trânsito tanto com Riedel quanto com Azambuja e também possui uma relação política próxima com Londres Machado.
Essa condição permitiria que ele funcionasse como elo entre a bancada governista, o grupo ligado ao ex-governador e os parlamentares veteranos.
A eventual chapa com Londres na presidência e Gerson Claro na primeira-secretaria surgiria, assim, como uma solução para acomodar os diferentes grupos.
O arranjo preservaria o comando político da Alems com o decano, ao mesmo tempo que garantiria às duas principais lideranças influência sobre a administração da Casa.
Qualquer acordo, entretanto, continuará condicionado ao desempenho dos envolvidos nas eleições.
Além de conquistarem os respectivos mandato, os integrantes do experiente grupo precisarão reunir votos dos outros 19 deputados estaduais que formarão a próxima legislatura.