O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 1 milhão em emenda parlamentar para uma organização presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O recurso, porém, não chegou a ser pago e não teve execução financeira, segundo informações citadas na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A emenda de número 202444200010 foi destinada à ANC (Academia Nacional de Cultura), também presidida por Karina Gama, alvo da operação Make Up. O projeto indicado como beneficiário é o “Heróis Nacionais”, com execução prevista no Estado de São Paulo.
A relação de Pollon com a entidade aparece na decisão de Dino no contexto da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados a organizações ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”.
A operação, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União), cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e a Academia Nacional de Cultura, entidades presididas por Karina Ferreira da Gama.
Emenda não chegou a ser paga - Apesar de ter sido indicada como beneficiária da emenda de Pollon, a Academia Nacional de Cultura não recebeu o R$ 1 milhão.
A decisão de Flávio Dino registra que as emendas destinadas à ANC por Pollon e pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), no valor de R$ 150 mil, “não tiveram execução financeira”. Em consulta ao Portal da Transparência em 11 de junho de 2026, a CGU também informou que não constava o recebimento de recursos federais pela Academia Nacional de Cultura.
A situação é diferente da registrada no caso do Instituto Conhecer Brasil. A entidade, também presidida por Karina Gama, recebeu R$ 2 milhões em recursos federais provenientes de duas emendas de autoria do deputado federal Mario Frias (PL-SP). É justamente a aplicação desse dinheiro que concentra parte das suspeitas investigadas pela PF.
Segundo os documentos que embasaram a decisão de Dino, a auditoria da CGU foi determinada para analisar as emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, incluindo duas emendas de Frias, uma de Pollon e outra de Bia Kicis.
No caso de Pollon, entretanto, o documento não aponta pagamento ou execução financeira da emenda.
Apesar de o recurso não ter sido executado, os R$ 1 milhão da emenda de Pollon chegaram a sair do Tesouro e permanecem vinculados ao Estado de São Paulo. O parecer técnico da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas paulista mostra que a verba foi incorporada ao processo para celebração de Termo de Fomento com a Academia Nacional de Cultura.
O documento, assinado em novembro de 2024, registra a emenda nº 44200010, de autoria de Marcos Pollon, no valor de R$ 1 milhão, e aponta a Secretaria da Cultura paulista como responsável pelo processo. O parecer também considera tecnicamente favorável a proposta para execução do projeto “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, uma série documental com três episódios.
No entanto a verba permanece parada. Conforme o acompanhamento do recurso no Transferegov, os R$ 1 milhão foram retirados do Tesouro em 13 de dezembro de 2024 e estão na conta do Estado de São Paulo. O plano de trabalho aponta como executor a própria Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e previa a produção dos três episódios da série.
O Ministério da Cultura pediu complementações ao plano em março e novamente em agosto de 2025, mas o documento nunca chegou a ser aprovado. O prazo de execução informado no sistema, de janeiro a novembro de 2025, também já venceu.