Contratos supostamente fraudulentos em diversos setores públicos geraram nove operações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) este ano, com 33 administrações municipais sendo alvo de investigações, número três vezes maior que o total de prefeituras visitadas pelo órgão no ano passado inteiro.
Levantamento do Correio do Estado revelou que equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) investigaram mais de 30 prefeituras por corrupção em contratos públicos este ano.
Quatro municípios aparecem em mais de uma operação: Campo Grande, Nova Alvorada do Sul, Rio Negro e Três Lagoas.
Os quatro municípios estão presentes na Operação Gutenberg, investigação realizada por suspeita de que “contratos de livros paradidáticos tenham sido utilizados para desviar recursos públicos e pagar vantagens indevidas”, como vagas nas filas de hospitais.
O esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões e foi revelado na primeira semana de julho. Outras 25 prefeituras são citadas ao longo do documento que embasou a ação.
AÇÕES NESTE ANO
Terenos foi o primeiro município a ser alvo das equipes do MPMS este ano, nas Operações Collusion e Simulatum, que aconteceram no dia 21 de janeiro.
Ambas tinham como objetivo apurar a “existência de uma organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública” por meio de fraudes em licitações.
Menos de 20 dias depois, no dia 10 de fevereiro, a Operação Cartas Marcadas foi deflagrada nas administrações de Corguinho e de Rio Negro, sob “suspeita de uma organização criminosa que se valia de servidores públicos corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames”.
Nos últimos três anos, as empresas envolvidas somaram mais de R$ 9 milhões neste esquema.
Foi encontrado dinheiro em espécie de vários países na ação - Foto: Divulgação/MPMS
No dia 31 de março, foi a vez da prefeitura de Coronel Sapucaia ser alvo do Ministério Público, na Operação Mão Dupla.
A investigação apontou a “prática de crimes de fraude a processos licitatórios e contratos, peculato-desvio, corrupção passiva e pagamento irregular em contratos públicos, envolvendo políticos, secretários, servidores e empresários” com atuação na cidade.
Em maio, em um intervalo de sete dias, duas operações, apelidadas de Buraco Sem Fim e Rota Desviada, foram deflagradas em Campo Grande e Nova Alvorada do Sul.
A primeira investigou um esquema de desvio de cerca de R$ 113 milhões em contratos de serviços de tapa-buracos na Capital. Já a segunda apurou “esquema ilícito envolvendo recursos públicos destinados ao transporte de alunos”.
Na semana passada, a Operação Máquinas de Areia desmantelou esquema que teria como “finalidade fraudar a execução de contratos de locação e fornecimento de veículos, maquinários e equipamentos pesados para serviços diversos, além da execução de contratos de infraestrutura para revestimento primário”, todos encontrados na administração de Três Lagoas, em acordos que passaram dos R$ 100 milhões.
A mais recente ação aconteceu ontem, no âmbito da segunda fase da Operação Auditus, que apurou a “ocorrência de fraudes em licitações realizadas pela prefeitura de Nioaque que tiveram como objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de especialidades médicas por meio de consultas, realização de exames e procedimentos médicos”.
Horas depois, o médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, que estava lotado em Jardim, foi afastado da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, após ser preso na operação. Porém, conforme nota divulgada, a prisão não está ligada às atividades que o médico desenvolveria até então na instituição.
ANO PASSADO
Em 2025, foram 11 operações deflagradas pelo MPMS contra administrações municipais do Estado. O órgão já identificou corrupção em contratos de publicidade, engenharia, pavimentação asfáltica, informática, tecnologia, saúde, educação e obras.
Foram alvo no ano passado Aquidauana (Operação Ad Blocker), Água Clara e Rochedo (Operação Malebolge), Três Lagoas (Operação Backstage), Coxim (segunda fase da Operação Grilagem de Papel), Sidrolândia (quarta fase da Operação Tromper e Operação Dirty Pix), Nioaque (Operação Auditus), Terenos (Operação Spotless), Miranda (Operação Copertura), Itaporã (Operação Fake Cloud) e Campo Grande (Operação Apagar das Luzes).